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sábado

Ratos de Porão

Entrevista com João Gordo(Ratos de Porão)

OBS: Foi feita em (22/2008) no caderno de cultura (Tô Ligado), do Jornal Tribuna Impressa, de Araraquara. Encontrei essa entrevista "antiga pra caralho" resolvi colocar aqui no blog.

João Carlos Molina Esteves, vulgo Jão, é paulistano, líder, guitarrista e membro fundador da banda Ratos de Porão, com quem gravou cerca de 13 discos. Considerado um dos mais lendários guitarristas do punk em atividade no Brasil, sua importância para o estilo é ímpar.

Em sua passagem por Araraquara, quando tocou com o Ratos de Porão no Sesc, na última quinta-feira, o músico teve um descontraído bate-papo com este jornalista que vos escreve. Em pauta, a carreira de seu grupo, a cena punk e as novas tendências musicais.


O Ratos de Porão prepara mais um disco para este ano, o 30º da carreira. Você pode nos adiantar detalhes do material?

Jão: Este álbum será um split, que dividiremos com a banda espanhola Looking for an answers, de grindcore (vertente extrema do heavy metal). Vamos participar com cinco composições, três inéditas e três que eram apenas tocadas ao vivo e nunca foram registradas em estúdio. O disco tem previsão de lançamento para o fim deste ano e vai sair nos Estados Unidos e na Europa em formato LP. No Brasil, sairá em CD pela gravadora do Boka (baterista do Ratos de Porão).

O split é um tipo de lançamento antigo, característico do movimento underground do punk rock e também do heavy metal. Como surgiu a ideia de resgatar esse mecanismo?

Jão: Na verdade, isso rolou porque avaliamos que apenas cinco músicos seria pouco para um CD completo do Ratos. Como temos muita amizade com o pessoal da Looking, resolvemos fazer o trampo juntos, o que é muito legal, porque somos de estilos diferentes. Quem ouvir um, automaticamente, curtirá a outro.

E quanto à sonoridade das novas do R.D.P, o que os fãs podem esperar?

Jão: Meu, aquele som típico, porém muita intensidade e sinceridade de sempre. Então, o pessoal pode esperar músicas fortes, que misturam o hardcore, o crossover e o thrash metal. As canções estão matadoras.

Com quase 30 anos de carreira, vocês ainda estão com todo esse pique? Compor e logo cair na estrada?


Jão: Cara, no ano passado tocamos bastante, em lugares que nunca tínhamos ido dentro do Brasil, como o Acre, além de muitas datas na Europa, Uruguai e Argentina. Mas é complicado, principalmente pela agenda do João Gordo e seu programa atual. A Rede Record não é tão maleável quanto a MTV.

Além do que, vira e mexe ele tem problemas de saúde. Mas estamos com alguns shows agendados. Não sei se tocaremos em tantos lugares quanto em 2009. Porém, se não conseguirmos mais tocar nossas músicas, paramos a banda. Garanto: isso está longe de acontecer.


Como é a cena no Brasil e fora em relação ao punk. Quais as diferenças principais?

Jão: O punk rock sempre será underground, por seu som e também ideologia. Os fãs sempre comparecem e apoiam as bandas. Só que a principal diferença da gringa para o Brasil é a estrutura. Fora do País, uma banda, se tiver bons contatos, pode tocar de segunda a segunda. No Brasil, o lance rola mais de fim de semana.

Mesmo o punk rock sendo típico da cena underground, o Ratos de Porão é um nome que soa familiar ao ouvido de todos. Como é manter o nome da banda vivo em País que rotula o grupo como rock pesado e indica bandas de emocore como representantes do rock nacional?


Jão: Cara, isso que você falou é muito engraçado e muito verdadeiro (risos). O termo roqueiro no Brasil é muito abrangente, o que talvez faça com que se criem outras tribos, que acaba subtraindo a cena. Não é tão comum, por exemplo, um cabeludo em show de punk e vice-versa. Isso é ruim, nada impede de um curtir o som outro. Agora, quanto a essas bandas de emocore, como Restart e Cine, é um som papai e mamãe, tipicamente correto. Antigamente, o estilo era associado a doidos, drogados e vadios.

Hoje, os moleques aparecem com cabelinho e historinhas de amor jovial. Eu não gosto e acho totalmente típico de adolescentes. Uma coisa eu associo e concordo que estas bandas representam o rock: elas realmente chocam a parte da sociedade que realmente curte um som de verdade, com aquele visual e atitude estranha (mais risos).


O engraçado é que essa própria tribo não se julga emocore e cria outros nomes para fugir do rótulo.

Jão: Pois é, cara. Na minha época, quando me perguntavam, eu afirmava: eu sou punk. Tem que ter atitude. E o pior são aquelas bandas que dizem ter influências de hardcore. É ridículo, uma ofensa a grandes nomes como Dead Kennedys, por exemplo. Sei lá, esses grupos aí parecem uma mistura de Backstreet Boys com Kelly Key (risos gerais).

Qual o segredo, então, para superar os modismos e continuar sempre na ativa, com status de grande banda?

Jão: No caso do Ratos, é o trabalho honesto. Nunca deixamos que gravadoras metam o dedo em nossas canções. Somos trabalhadores e batalhadores do estilo.

Qual foi o auge da carreira da R.D.P.? Fizeram algo de que hoje se arrependem?

Jão: Cara, foi no final dos anos 1980, quando viajamos pelo Exterior. Muita curtição, sonzeira e um grande respeito no mundo todo. Tudo isso pode ser conferido no nosso documentário, o "Guidable - A Verdadeira História dos Ratos de Porão".

Talvez, do que eu me arrependa seja ter participado de uns programas de tevês ridículos (risos). Meu, você pode achar engraçado, mas nos convidavam e íamos divulgar nosso som. Mas, pô. Hoje vejo e penso: que p*** estávamos fazendo. Já tocamos no Gugu, programa da Angélica (risos).

O que você tem ouvido ultimamente?

Jão: Ultimamente, só tenho ouvido coisa velha. Acho que eu estou ficando. Normalmente compro discos em sebos e só vem coisa dos anos 1970. Mas dentro disso aí tem heavy metal, punk e rock clássico.



Para finalizar, nos conte como é a vida do Jão fora do Ratos?

Jão: Vamos lá, fora da banda. Vixi, fora da banda faço minhas loucuras. Quando não estou no palco, estou nos meus ‘corres’. Trampo de motoboy, motorista, enfim, faço alguma coisa (risos). Faço um som também, com a banda Periferia S/A e realizo aqui em São Paulo o Jão Fest.

É um festival underground, nos moldes do Ozzfest (grande festival americano comandado por Ozzy Osbourne), só que, claro, com outras proporções. Chamo sempre uma banda de cada estilo, do punk ao melódico. Quero, em breve, fazer duas edições dele.

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